Poema 38 • página 59
Espelho ofuscante
terras em troca
é uma ova é uma
ova é uma cova
índio não quer
espelho nem
apito nem
chocalho nem
nhenhenhém
todo indígena já
conheceu a crueldade
do homem
explora e exclui
e explora e
agora?
a floresta acabou
a chama apagou
o povo sumiu
a noite esfriou
o espelho
rachou
o velho esfarrapado do rosto pintado
chama curumim e cunhatã
todo dia e toda hora é dia
todo dia e toda hora é hora
de retomada
Fac-símile da edição
Página 59