Poema 52 • páginas 78, 79

Pele da pitanga

caminhávamos pelo vazio sem ter a certeza do que éramos em essência feitos de pó de semente de terra ou de gente você era os olhos do universo expandindo-se como uma pupila no escuro : disperso era a boca da brisa os ombros do oceano o crânio da chuva os folículos da folha a face da floresta a pele da pitanga você era eu, era ele era nós e todas elas tudo era você a mão fechada do soco dado em você mesma e depois os dedos espadaúdos dos afagos de desculpa cada árvore caída cada aragem manchada cada água ruída doeu ou doerá em você em qualquer idade ou realidade porque aqui tudo o que existe é você só você e eu rotacionando-me no ciclo da terra do sol do mar do fogo do solo dos astros e dos antros : a humanidade que lhe encara com olhos de quem não crê.
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